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Com todos os progressos da Medicina na segunda metade do século XX, a longevidade crescente e o aumento das doenças crónicas conduziram a um aumento significativo do número de pessoas que são portadoras de doenças incuráveis. O modelo da medicina curativa, agressiva, centrada no ataque à doença não se concilia com as necessidades deste tipo de pessoas.

A não-cura ainda continua a ser vista pelos profissionais como uma derrota, uma frustração, uma área de não-investimento. A doença terminal e a morte foram hospitalizadas e a sociedade em geral aumentou a distância face aos problemas do final de vida.

O movimento moderno dos cuidados paliativos, iniciado em Inglaterra na década de 60, e que posteriormente se foi alargando ao Canadá, Estados Unidos e mais recentemente (no último quarteirão do século XX) à restante Europa, teve o mérito de chamar a atenção para o sofrimento dos doentes incuráveis, para a falta de respostas por parte dos serviços de saúde e para a especificidade dos cuidados que teriam que ser dispensados a esta população. In APCP

Os Cuidados Paliativos são uma abordagem interdisciplinar, que visa melhorar a qualidade de vida da pessoa doente e suas famílias que enfrentam uma doença em fase avançada e terminal das suas vidas, através da prevenção e alívio do sofrimento, antecipando, identificando precocemente e tratando de forma rigorosa os problemas físicos, psicossociais e espirituais delas decorrentes, conforme declara a OMS.

Os Cuidados Paliativos são prestados por uma equipa multi e interprofissional com formação técnica especializada, que atua em áreas tão distintas como o tratamento da dor física, o apoio espiritual e psicológico à pessoa doente e familiares, articulando-se com todas as especialidades que interagem no acompanhamento da pessoa doente, no decorrer do seu processo de doença.

Quais as vantagens dos Cuidados Paliativos em casa?

A prestação de Cuidados Paliativos em casa tem várias vantagens, tais como:

  • Proporcionar à pessoa doente e sua família uma maior privacidade
  • Permitir à pessoa doente ser cuidada no seu ambiente, rodeada da família, dos amigos e dos seus objetos significativos, aspetos promotores de maior bem-estar e qualidade de vida;
  • Permitir manter as suas rotinas assim como as dos seus familiares.
  • Reduzir as deslocações a consultas e idas à urgência por descompensação de sintomas, minorando entre outros, os riscos de infeções hospitalares.
  • Permitir que a pessoa doente permaneça em casa nos últimos dias de vida, se for esse o seu desejo.
  • Envolver e integrar a família nos cuidados prestados e na adaptação à doença do seu familiar, apoiando-a também na fase.

Carmo Carnot, Enf.ª

Diretora técnica da GentilCare

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